Card de divulgação do webinar do Demonstrador Federado de Espaço de Dados Industriais, com os painelistas Flávio Maeda, Maurício Finotti, Isabela Gaya e Néstor Fabián Ayala
Webinar “Demonstrador Federado de Espaço de Dados Industriais: Colaboração Brasil–União Europeia na Hannover Messe”, realizado em 24 de junho de 2026 pelo Comitê Open Industry da ABINC, em parceria com a ABDI.

Iniciativa da ABINC, em parceria com a ABDI, apresentou os resultados do primeiro Data Space industrial brasileiro levado à Hannover Messe 2026 e o roadmap de escala para o território nacional.

No dia 24 de junho, a ABINC – Associação Brasileira de Internet das Coisas, por meio do Comitê Open Industry, realizou mais um webinar de difusão de conhecimento, desta vez dedicado aos Data Spaces (Espaços de Dados) e à experiência do Demonstrador Federado de Espaço de Dados Industriais, desenvolvido em conjunto com a ABDI – Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial.

O encontro reuniu Flávio Maeda, vice-presidente da ABINC; Maurício Finotti, líder do Comitê Open Industry da ABINC e CEO da I-SENSI; Néstor Ayala, codiretor do NEO-UFRGS; e Johannes Klingberg, da GIZ – agência de cooperação internacional do governo alemão. Johannes participou no lugar de Isabela Gaya, gerente da Unidade de Difusão de Tecnologias da ABDI, que não pôde comparecer.

Assista à gravação do webinar

O encontro completo está disponível para quem não pôde acompanhar ao vivo:

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ABINC e o Comitê Open Industry: posicionando empresas na nova economia de dados

Abrindo a sessão, Flávio Maeda apresentou a ABINC e o Comitê Open Industry. Com mais de dez anos de atuação na construção e no fortalecimento do ecossistema de IoT no Brasil, a Associação adota uma abordagem centrada não na tecnologia em si, mas na aplicação prática e nos resultados de negócio.

Maeda destacou que a economia de dados é a evolução natural do IoT e representa uma nova economia — não apenas um novo mercado ou tecnologia. O Comitê Open Industry, segundo ele, é o único comitê da ABINC organizado em grupos de trabalho, justamente para dar conta de frentes distintas: tecnologia (origem do demonstrador apresentado, além da normalização junto à ABNT e da certificação de soluções e profissionais), regulatório (contribuições para a Política Nacional de Economia de Dados e a extensão da conformidade Gaia-X) e negócios (modelos sustentáveis e casos de uso adequados ao cenário brasileiro). O conceito de indústria adotado pelo comitê é amplo, abrangendo energia, agronegócio, logística, transportes, cidades inteligentes e saúde.

Pesquisa do NEO-UFRGS: quatro perfis de empresas

Néstor Ayala apresentou os resultados de uma pesquisa conduzida pelo NEO-UFRGS em parceria com a ABDI, a pedido do MDIC, ouvindo mais de 200 empresas de forma quantitativa e qualitativa para subsidiar a Política Nacional de Economia de Dados. O estudo parte de um diagnóstico contundente: a maior parte dos dados gerados pela indústria permanece sem uso.

A pesquisa identificou quatro perfis de empresas:

  1. Já geram valor com dados, mas dependem de métodos próprios, caros e nem sempre seguros — precisam de um ambiente funcional e de menor custo.
  2. Enxergam valor, mas têm receio de compartilhar, por lidarem com dados sigilosos e pela ausência de regras claras e de mecanismos de confiança.
  3. Veem valor, mas não têm capacidade — em geral PMEs em posições intermediárias da cadeia, com menor maturidade de dados; potenciais early adopters quando apresentadas a uma plataforma pronta.
  4. Baixa maturidade, que ainda não percebem o valor dos dados e demandam um trabalho de alfabetização (letramento) em compartilhamento de dados.

Ayala lembrou que a Política Nacional de Economia de Dados, a ser lançada pelo MDIC, se organiza em quatro eixos — regulação, governança, tecnologia e formação — e que, para parte das empresas, o Data Space é a resposta, enquanto para outras o letramento ainda é pré-requisito.

A experiência europeia: lições da GIZ

Johannes Klingberg trouxe a perspectiva europeia, com base no apoio da GIZ ao MDIC. A discussão sobre Data Spaces na Europa começou por volta de 2019, oferecendo cerca de cinco anos de lições aprendidas. A Comissão Europeia atuou como catalisadora — promovendo projetos setoriais, regulando por meio do Data Act e do Data Governance Act e financiando pilotos.

Entre 2020 e 2024, segundo Klingberg, percebeu-se um gargalo: alto custo de conformidade, risco jurídico e dificuldades de interoperabilidade fizeram com que apenas grandes players avançassem — o caso mais maduro é o Catena-X, do setor automotivo. A partir de 2025, com a ascensão da IA, os dados passaram a ser tratados explicitamente como recurso econômico e determinante de competitividade, levando a Comissão a reduzir o peso regulatório e a focar na transição de pilotos para aplicações reais.

Suas três mensagens principais: a regulação é necessária, mas não deve impor grandes barreiras de implementação; é preciso olhar para a assimetria de custos entre grandes e pequenas empresas; e a interoperabilidade e a infraestrutura de compartilhamento são cruciais para a competitividade nacional em IA. Para ele, a agilidade do ecossistema brasileiro abre a chance de o Brasil se tornar referência na implementação de casos concretos.

O Demonstrador e o Roadmap: de Hannover para o Brasil

Maurício Finotti conduziu a apresentação central. Após ilustrar como o valor dos dados pode surgir onde menos se espera, demonstrou a escala do dado industrial: uma única prensa pode gerar cerca de 1,84 GB por ano — volume que se multiplica em fábricas com dezenas ou centenas de máquinas. Esse é o “tesouro perdido”: dados isolados que reduzem a competitividade.

Finotti reforçou o conceito de Data Space como um ecossistema digital seguro e soberano, em que a empresa compartilha dados com controle total — sabendo qual dado, para quem e por quanto tempo — sem perder a posse da informação. A peça-chave é o conector, que extrai apenas o dado autorizado e valida cada transação conforme os contratos e as políticas estabelecidas.

O demonstrador foi apresentado na Hannover Messe 2026, na qual o Brasil foi country partner, com 160 empresas brasileiras entre os 4.000 expositores e 89 países participantes. Reunindo empresas brasileiras e europeias e focando em centros de usinagem, o ambiente coletou dados de usinagem, consumo de energia, indicadores de parada e informações derivadas do MES, sob padrões globais como OPC UA e em conformidade dupla com LGPD e o Data Act europeu.

Entre os casos de uso construídos estão o compartilhamento seguro de dados, a análise de utilização de ativos (com média de 85% de utilização e 42% de ociosidade), a identificação dos principais motivos de parada e o uso dos dados como fonte qualificada para o treinamento de IA.

Finotti apresentou ainda o roadmap em duas fases — a validação em Hannover e a escala permanente no Brasil, alinhada à linha 4 do Programa Mover — e a jornada de adoção em cinco pacotes: Discovery, Design, Implementation, Operations e Value. Encerrou com a mensagem que dá tom à iniciativa: “O futuro da indústria é colaborativo e soberano.”

Perguntas e respostas

No bloco final, os participantes responderam ao público. Sobre segurança, Flávio Maeda explicou que ela é by design no Data Space — combinando proteção tecnológica no nível do conector (transações empresa a empresa e verificação de credenciais) com governança em múltiplos níveis, coordenada por uma autoridade de governança neutra. Sobre soberania de dados, reforçou que ela significa garantir que o detentor do dado controle com quem compartilha, de forma segura e com identidade verificada.

O tema do Passaporte Digital de Produto (DPP) também foi abordado: Johannes e Maurício destacaram que o Data Space é a ferramenta lógica para organizar a governança de dados exigida pela rastreabilidade, distinguindo informações públicas, regulatórias e restritas ao longo da cadeia — sempre com atenção ao impacto sobre as PMEs.

“O futuro da indústria é colaborativo e soberano.” — Maurício Finotti, líder do Comitê Open Industry da ABINC

Saiba mais e participe

A gravação completa está disponível no canal da ABINC no YouTube e também no LinkedIn, onde há ainda a playlist Open Industry com treinamentos sobre o tema. O material do demonstrador, incluindo o white paper, pode ser acessado no novo site do Open Industry, iniciativa liderada pela ABINC com apoio da ABDI e da CNI. Empresas interessadas em integrar os grupos de trabalho podem entrar em contato com a Associação.

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